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Entrevista: a telemedicina sob a ótica de Eduardo Cordioli

Veja como funciona a telemedicina sob a ótica do médico Eduardo Cordioli, um dos maiores especialistas do Brasil

eduardo cordioli

Presente no Brasil já há alguns anos, a telemedicina – área da telessaúde que oferece suporte diagnóstico de forma remota – tem sido destaque neste período de isolamento social.

Afinal, por meio deste recurso tecnológico, inúmeros hospitais e clínicas especializadas em diferentes segmentos têm disponibilizado consultas médicas, diagnóstico de pacientes e desburocratizado processos médicos, mesmo à distância. Inclusive, a inovação já foi tema de um post no blog.

Essencial para o contexto qualitativo hospitalar, os índices de crescimento da modalidade no setor de medicina privada do Brasil são altos. Em recente entrevista para o jornal Estado de Minas, Guilherme Hummel, coordenador científico do eHealth Mentor Institute e referência no setor, alegou, inclusive, que com a regularização da telemedicina no Brasil, é esperado que 20 a 25% das consultas médicas sejam realizadas de forma remota. O que não é novidade, uma vez que a modalidade torna possível os atendimentos e manutenção de casos clínicos crônicos de forma simples e segura. 

Eduardo Cordioli
Prof. Dr. Eduardo Cordioli

Convidamos então o médico Eduardo Cordioli, Gerente Médico da Telemedicina do Hospital Israelita Albert Einstein, para falar sobre os avanços da telemedicina e sua importância para a sociedade brasileira. 

Confira a entrevista exclusiva a seguir:

Blog do Escala – Do ponto de vista pessoal, da sua história e trajetória, como surgiu a sua conexão com a telemedicina e como foi o início da aplicação dentro do Einstein?

Dr. Eduardo Cordioli – Eu sempre gostei de tecnologia. Lembro que no ano de 2016, enquanto eu estava no Einstein, cheguei a receber o convite de outra empresa e conversei com os meus superiores sobre a ideia de sair. Na época eles me perguntaram por quê e eu falei que queria algo novo, que queria mexer com tecnologia. No mesmo momento eles me fizeram a proposta de ir pra área de telemedicina do Einstein e de lá pra cá, sinto que estou no lugar certo. Eu gosto de ser médico, de atender, promover assistência e gosto também de tecnologia digital, então apesar de ser da geração X, tenho espírito de Millennial. A coisa casou e logo floresceu.

BE – E como foi, lembrando um pouco desse histórico em que o Einstein foi super pioneiro no segmento da telemedicina, travando, inclusive, várias batalhas na legislação, ir contra a maré e liderar esse movimento revolucionário?

EC – Foi ótimo. É claro que quando você promove um modelo inovador e disruptivo, acaba por encontrar uma certa resistência. Uma das minhas primeiras aulas na faculdade de medicina foi sobre a história de Igor Semmelweis, um médico ginecologista obstetra, que descobriu em Viena há uns 200 anos atrás, que os médicos precisavam lavar as mãos. Ele verificou que as enfermeiras lavavam as mãos, mas que os médicos saiam da aula de anatomia sem lavar as mãos e que por isso o aumento de mortes em partos realizados por estes, era constante. Semmelweis foi perseguido na época, é claro. Ou seja, inovar na medicina tem sempre um custo muito grande, mas traz também uma realização gigante.

Um dos objetivos da diretoria do Einstein é levar uma gota de Einstein para cada cidadão brasileiro e a telemedicina cumpre esse objetivo, porque usando a tecnologia você consegue chegar a todos os brasileiros de fato. Eu fui investido, estimulado a ir para fora, conheci pessoas que já estavam praticando, fiquei um tempo aprendendo com eles e hoje nos tornamos referência mundial. Já fomos chamados por vários países para dar aula e falar sobre a nossa telemedicina.

BE – O Einstein, como referência nacional em saúde, tem a inovação enraizada na operação e isso de alguma forma incentiva a aceleração do processo em outros hospitais brasileiros. E como você tem visto, principalmente após a pandemia, as principais vantagens da telemedicina neste contexto de transformação digital?

EC – Acredito que a grande vantagem da telemedicina neste momento é que o paciente consegue ser atendido onde estiver, evitando o deslocamento e quebrando a barreira geográfica. Com isso, você contribui para a contenção da crise, de certa forma e, pelo fato de atender a pessoa à distância, você previne que ela pegue uma infecção, como também protege o médico, dado que o profissional não precisa se deslocar para a unidade de de saúde, atuando quase como um EPI. As pessoas continuam com doenças crônicas, então a telemedicina possibilita o contínuo atendimento destes casos de modo seguro. Dessa forma, é possível fazer a manutenção da saúde dos seus pacientes, além de levar expertise médica para lugares remotos.

No programa de Tele UTI do Einstein – que disponibiliza o acompanhamento remoto de pacientes em UTI – existem mais de 250 leitos, em que usamos médicos intensivsitas do Einstein, passando visita e dando orientação a médicos plantonistas, possibilitando o aumento do giro do leito e redução da mortalidade. Assim, a telemedicina atinge a quádrupla meta: eu melhoro a experiência do paciente, reduzo o desperdício de saúde, melhoro a saúde da população como um todo e melhoro a experiência de quem cuida, dos profissionais da saúde. 

BE – Num contexto em que os hospitais também estão sofrendo com os impactos negativos da pandemia do novo coronavírus, a telemedicina vira também uma válvula de escape financeiro, olhando sob a ótica do hospital, não é?

EC – Hoje, a telemedicina é uma área vital para qualquer operação hospitalar. Ela já vinha crescendo de forma exponencial, mas de certa forma, o coronavírus acelerou o processo de tecnologia na saúde e assim ela deixa de ser marginal, para se tornar parte do core. Ela mantém a economia circulando, o paciente girando, mas ela também vai ser fator qualificador entre os sistemas privados de saúde. Quem não tiver telemedicina, está fora da competição. Você precisa ter, porque o paciente vai se relacionar com o hospital primariamente pelo universo digital. 

BE – A telemedicina é aplicada em quais setores no Einstein hoje?

EC – Em todas as especialidades médicas. Algumas têm mais interação que outras, é claro, mas pelo menos uma parte dos atendimentos é realizada por meio dela.

BE – O que você vê como pontos de atenção para um hospital que está entrando agora na telemedicina?

EC – Olha, é necessário primeiro escolher uma plataforma segura de telemedicina, com atenção a segurança de dados e vazamento de informação, que possua um interface amigável e proporcione uma boa experiência UX para os pacientes. Além disso, é importante garantir que o hospital tenha médicos dedicados e especialistas da área de saúde digital. Não adianta achar que telemedicina é um Skype e que você pode jogar qualquer profissional de saúde lá. O profissional da saúde precisa ser capacitado para isso, porque o maior fator de segurança na telemedicina é o próprio profissional da saúde, pois ele determina o que é seguro orientar que o paciente faça a distância. A mesma responsabilidade legal que você tem atendendo uma pessoa presencialmente, você tem ao atender o paciente a distância. Você precisa colocar um limite no que é possível e no que não é.

BE – Quais são os próximos passos para a telemedicina no Einstein?

EC – A fronteira da conexão, que é humanos se conectarem por meio da tecnologia, já foi ultrapassada. Hoje estamos vivendo a revolução do software, em que o software ajuda o médico a ficar mais assertivo, mais produtivo e é um investimento muito importante. Nós da telemedicina do Einstein, utilizamos o Escala para produzir e gerenciar a escala dos nossos médicos; você precisa utilizar tecnologia para tornar o processo mais ágil. A próxima fase dessa revolução é criar sistemas híbridos para realizar os atendimentos. Essa revolução da transformação digital tem colocado para todas as empresas e todos os setores a importância do modelo híbrido, que vai ditar os escritórios, salas de aula e hospitais.

O futuro da telemedicina

A telemedicina foi trazida para o Brasil no ano de 1994, no entanto, nem todos os hospitais faziam uso desta, antes da crise do Covid-19. Devido ao alto risco de contaminação ocasionado pelo novo coronavírus, o país decretou pandemia e como medida preventiva, foi instaurado o isolamento social. Desta forma, a demanda nos hospitais públicos e privados foi altíssima e casos clínicos menos graves ou considerados crônicos precisaram ser adaptados para o atendimento remoto

Assim, instituições de saúde que outrora preteriam esta modalidade de atendimento, precisaram optar por ela para aliviar a demanda presencial nos espaços físicos, sem perder a quantidade de atendimentos realizados por suas equipes médicas.Para garantir a eficiência dos teleatendimentos, no entanto, bem com a gestão e controle do quadro de profissionais da saúde responsáveis, é imprescindível contar com uma ferramenta de organização de escalas e jornadas de trabalho. 

O Escala foi desenvolvido a partir de uma iniciativa do Laboratório de Inovação da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein e é uma plataforma em nuvem que permite otimizar o gerenciamento de escalas e jornadas de trabalho clínico por meio de diversas funcionalidades disponíveis na web ou no aplicativo e que pode auxiliar o controle de demanda dos teleatendimentos. 

Acesse aqui e saiba mais sobre esta ferramenta.

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Postado por Raphael Tavares

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